"Já me disseram que era retenção, celulite ou falta de vontade." Poucas frases resumem tão bem o caminho de quem tem lipedema. Não é raro que a mulher passe anos, às vezes desde a adolescência, ouvindo explicações que não fecham com o que ela sente.
Entender por que isso acontece ajuda a não carregar a culpa que costuma vir junto.
Um quadro confundido com outros
O lipedema divide sinais com condições muito mais conhecidas, e é aí que a confusão começa:
- Obesidade: as duas aumentam o volume, mas no lipedema a gordura é desproporcional, simétrica, dói ao toque e responde pouco à dieta.
- Retenção de líquido: a sensação de peso é parecida, mas o lipedema é uma alteração do tecido de gordura, não só de líquido.
- Linfedema: também aumenta o volume das pernas, mas costuma envolver os pés e ter comportamento diferente.
- Celulite: a pele pode ficar parecida, mas celulite sozinha não explica dor, hematomas e desproporção.
- Insuficiência venosa: varizes e pernas pesadas podem coexistir com o lipedema e confundir o quadro.
A LISFERA tem um texto que aprofunda essas diferenças: lipedema, linfedema e celulite.
Um reconhecimento recente
Por muito tempo, o lipedema foi pouco ensinado e pouco estudado. Isso vem mudando: com a CID-11, a classificação internacional de doenças da Organização Mundial da Saúde, em vigor desde 2022, o lipedema passou a ter um código próprio. Mesmo assim, ainda é comum que a paciente conheça o nome da condição antes de encontrar quem a avalie.
O peso do julgamento
Talvez a parte mais difícil seja a que não aparece em exame nenhum. Quando a explicação oferecida é "falta de disciplina", a mulher tende a redobrar dietas e treinos, ver o tronco afinar e as pernas continuarem iguais, e concluir que o problema é ela. Falamos disso no texto emagreci e as pernas não mudaram.
Lipedema é uma doença do tecido. Não é falta de esforço.
O que ajuda a encurtar o caminho
- Organizar a própria história: quando o aumento começou, se piorou em fases hormonais, se há casos parecidos na família.
- Registrar os sintomas que não aparecem na foto: dor ao toque, hematomas, sensação de peso.
- Buscar avaliação com quem conhece lipedema e olha para o tecido, não só para o volume.
- Considerar que mais de uma condição pode existir ao mesmo tempo, como lipedema e insuficiência venosa, ou lipedema e obesidade.
Na avaliação com o Dr. Diego Torrico, o exame clínico é somado à ultrassonografia do tecido, justamente para separar o que é lipedema do que pode ser outra coisa.